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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Capítulo 12 – A Vergonha


Ema - Consultório do Dr. Feinberg… Está bem. Quando é que ele chega?



Dr. Feinberg - Tanto trabalho! Ainda nem me sentei. O que é que tens?
Cindy - Uma mulher hispânica no 5... Não fala muito português e queixou-se de dores no seio esquerdo.
Dr. Feinberg - Chego lá num minuto. 



Dr. Feinberg - Sabes o que eu estava a pensar? Achei que seria mau se levasses a família toda para Riverdale, já que a tua filha está na escola. Talvez pudesses comprar um apartamento. Trabalhavas durante a semana e ias a casa aos fins-de-semana. Não ficavas sozinha. Podíamos sair juntos, jantar. Enfim, não foi uma proposta. Foi só...
Cindy - Sou casada.
Dr. Feinberg - Só quis ajudar.
Cindy - Achei que me querias lá porque sou boa no que faço.
Dr. Feinberg - Achei que... Enfim, encontramo-nos daqui a pouco.



Dean chega a receção ainda tocado pelo álcool e tenta pegar no telefone mas a recepcionista impede-o dizendo:

Ema - Não pode fazer isso. Não por telefone.

Ema dá-lhe uma folha de inscrição e diz:

Ema - Senhor, não se importa de preencher isto? Quando terminar, devolva-mo.
Dean - Não preciso disto.
Ema - Pode esperar um pouco? Obrigada.
Dean - Procuro a minha esposa. Não preciso disto.
Ema - E quem é sua esposa?
Dean - Cynthia.
Ema - Você deve ser o Dean. Está bem. Vou chamá-la. Ela já vem.



Ema - Cindy, tens uma visita.
Cindy - Quem?
Ema - O teu marido. Acho que ele esteve a beber.



Cindy – Olá!
Dean - Aí estás tu.
Cindy – O que fazes aqui?
Dean - Agora estás amigável, não?
Cindy – Só estou surpreendida de te ver.
Dean - É aqui que os sorrisos acontecem? Esta é a sala do sorriso? Tomas café, largas-me e não me dizes o que está a acontecer?


Cindy afasta-se vai buscar a bolsa e volta enquanto Dean continua a falar:


Dean - Fiquei preocupado. Achei que tinha acontecido algo à Frankie. Não sei o que houve.
Cindy - Podes-me dar um segundo?
Dean - Vais sair assim?
Ema - É, pode dar-lhe um segundo?
Dean - Eu não sabia se havia uma emergência.
Cindy - Frankie está bem. Vamos.
Dean - Bom saber.
Ema - Cindy, estou aqui se precisares.
Cindy - Certo. Vamos.
Ema - Não deixes que ele te faça uma lavagem cerebral.
Dean - Lavagem cerebral?
Cindy - Podes-me ajudar? Deus!



Dean - Olha, sei que tudo correu mal ontem...
Cindy - Não acredito que tenhas aparecido aqui bêbado.



Cindi continua em direção ao carro.


Dean – Hei! Estou a falar contigo. Eu sei que...
Cindy - Consegues guiar?
Dean – O quê?
Cindy - Consegues guiar?
Dean – Que pergunta é essa? Claro que sim.



Cindy - Pegua nas chaves e vai para casa.
Dean – Tu nem te importas se eu consigo guiar. Tu adorarias se eu batesse com o carro.



Cindy vira-lhe as costas e volta para o hospital.

Cindy - Adoraria. Estás certo.
Dean – É isso.
Cindy - Estás sempre certo.
Dean – Tu só ficas aqui neste lugar. E este nojo de gente não te liga nenhuma, não é? Hei!
Cindy - Vai para casa!
Dean – Vem cá! Olha que eu vou entrar! Vou entrar! Está bem. Vou entrar.



Ema - Sente-se e já a chamamos.
Isabel - Obrigada.

Ema vê Cindy a entrar de novo no hospital:

Ema - Estás bem? Ele foi-se embora?
Cindy - É um idiota.



Ema - Porque não nos dá uns minutos? Não pode entrar aqui. Deus. Não pode entrar aqui.
Dean – Está tudo bem.



Cindy - Não posso fazer isto. Não aguento. Não aguento mais isso.
Dean – Vamos lá fora.
Cindy - Não vou lá fora.
Dean – Vamos lá.



Cindy - Estou farta! Estou por aqui. Chega!
Dean – Vamos lá fora conversar.
Cindy - Chega. Estou farta. Estou farta disto. Estou farta de ficar zangada, de tu estares bêbado. Farta!



Dean fecha a porta do gabinete:

Cindy - Não feches a porta.
Dean – Vou fechar a porta. Não fales assim.
Cindy – Ema!
Dean – Não fales com ela. Ema, precisar de um minuto.



Cindy – Queres saber? É por isso que não falo contigo. Vais de um extremo ao outro.
Dean – Só estás a falar comigo porque eu estou aqui.
Cindy – És um palerma.
Dean – Sou um palerma?
Cindy – És um palerma. Já não te amo. Não sinto mais nada por ti. Nada! Nada! Não há mais nada aqui por ti. Nada.
Dean – Não digas coisas que não podes retirar.
Cindy – Foste tu que pediste isto.
Dean – Eu não te deixaria assim se não te amasse.
Cindy – Eu dei-te a resposta e tu não gostaste.
Dean – Vai-me bater?
Cindy – Não! Tu é que és o mau da fita, não eu.
Dean – Sou o mau da fita?
Cindy – És, palerma.
Dean – Está bem.
Cindy – Vai para o raio que te parta!



Ema preocupada com aquele barulho todo aproxima-se da porta mas vê que ela está fechada então pede que a abram mas em vão.

Cindy – Sou mais homem do que tu.
Dean – Não digas isso!
Cindy – Eu sou, eu sou!
Dean – Que droga é essa? O que queres dizer?
Cindy – Abre a porta!
Dean – Como assim és um homem?
Cindy – Estás a assustar-me!
Dean – Não digas isso! Não digas coisas dessas. Que porcaria é essa? Eu vou ser um homem. Queres que eu o seja?

Dean começa a destruir a atirar o que apanha pela frente para o chão

Dean – Sou um homem. Olha só!
Cindy – Pára!
Dean – Estou a ser um homem. Eu sou um homem. Eu sou um homem, agora.
Cindy – Pára! Pára!
Dean – É isto que um homem faz, não é? Fartei-me de conversar.



Entretanto Ema consegue abrir a porta e o Dr. Feinberg também chega:

Dr. Feinberg - Com licença! O que está a fazer?
Dean – Quem é você?
Dr. Feinberg - Sou um médico.
Dean – Você é o Dr. Feinberg? Meteu-se com a minha mulher?
Dr. Feinberg - Como?
Dean – Meteu-se com ela?



Dean dá um safanão no Dr.Feinberg

Cindy e Ema – Meu Deus!
Dean – Vou-te bater daqui a cinco segundos.
Dr. Feinberg – Tenha calma!
Dean – Em cinco segundos, sai daqui. Cinco segundos! Cinco, quatro... Saia! Saia! Dois...
Dr. Feinberg – Pense na sua esposa.

Dean dá um soco na cara do Dr. Feinberg e este cai redondo no chão.

Cindy e Ema – Meu Deus!

Cindy ajuda o Dr. A levantar-se:

Cindy - Sinto muito.
Dean – Levante. Você é de vidro? Não aguenta um murro?



Cindy - Seu filho da mãe! Seu cabrão!
Dr. Feinberg – Chega! Basta! Ema, por favor. Cindy, podes sair daqui? Saia! Chega.



Entretanto Cindy e Ema, saiem.

Dean – Chega? Vai despedir minha esposa? Hei! Isso é entre nós. Não a culpe ela por isto.
Dr. Feinberg – Você vai ser preso, amigo.
Dean – Vou?



Cindy entra e puxa pelo braço de Dean:

Cindy - Vem comigo.
Dr. Feinberg – Tira-o daqui.



Cindy - Dá-me as chaves.



Cindy - Quero a porcaria do divórcio!

Dean tira a aliança do dedo, atira-a para o jardim e entra no carro.



Cindy arranca com o carro mas vê-se obrigada a parar porque Dean abriu a porta para sair.

Cindy – Aonde é que vais? O que estás a fazer?

Dean dirige-se para o jardim para procurar a aliança.